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Urologia Reconstrutiva

Doença de Peyronie

O diagnóstico da doença de Peyronie é essencialmente clínico, baseado na história clínica e no exame físico.

O aparecimento recente da curvatura peniana, associado a nódulos palpáveis na haste peniana e dor, especialmente durante a ereção, está entre os sintomas mais presentes na fase aguda. Durante esta fase, o ângulo de curvatura pode sofrer alterações, sendo que uma melhora importante ocorre em uma minoria dos casos. Em contrapartida, a dor tende a desaparecer na quase totalidade dos casos, mas pode perdurar por um intervalo de tempo de até 18 meses.

Segue-se a fase crônica, na qual os nódulos tornam-se mais endurecidos, formando placas, e o processo de curvatura encontra-se estabilizado. Nesta fase, a dor tende a desaparecer. Podem ocorrer deformidades na haste peniana, como afunilamento de determinada região, encurtamento e piora da função erétil.

Apesar de exames não serem necessários para estabelecer o diagnóstico na maioria dos casos, podem ser utilizados para estadiamento e acompanhamento evolutivo da doença.

Mecanismo da doença de Peyronie

Deformidade, função e evolução

Na avaliação, Estimam-se o grau e o eixo da curvatura, deformidades associadas, perda de comprimento peniano, dor, estabilidade da doença, qualidade das ereções e repercussão sobre a atividade sexual, além de todos os aspectos da saúde geral e mental do indivíduo.

Nem todo paciente precisa de cirurgia

A estratégia depende da fase da doença e de seu impacto funcional. Quando existe deformidade estável e repercussão significativa, diferentes técnicas cirúrgicas podem ser discutidas.

Redução do lado oposto à área doente – corporoplastia redutora – corporoplastia redutora

A curvatura resulta da menor extensibilidade de um dos lados do corpo cavernoso. As técnicas de encurtamento ou corporoplastia atuam no lado contralateral, reduzindo proporcionalmente sua extensão durante a ereção. A correção pode resultar em redução do comprimento peniano; o planejamento procura minimizar o impacto funcional e sobre o comprimento aparente.

Corporoplastia redutora

Reconstrução do lado acometido pela doença

A corporoplastia com enxerto busca corrigir a curvatura e as deformidades por meio de incisões na região de menor extensibilidade, com interposição de tecido para permitir expansão mais equilibrada. Em situações selecionadas, pode ser necessária a remoção parcial de tecido fibrótico ou calcificado. O objetivo é preservar o comprimento quando possível, considerando riscos de alterações de sensibilidade, função erétil e cicatrização. Podem ser utilizados diferentes enxertos biológicos, incluindo materiais de origem animal, como pericárdio bovino.

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Reconstrução com alongamento

Tratamentos e acompanhamento

Mecanismos de tração — extensor peniano

O uso de extensores penianos pode apresentar resultados interessantes em pacientes selecionados, inclusive na fase inicial da doença. Esses dispositivos foram historicamente divulgados também para aumento peniano, mas hoje existem modelos desenvolvidos especificamente para o tratamento de Peyronie. O uso prolongado e o eventual constrangimento podem limitar a adesão.

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Ondas de choque

Ondas de choque de baixa intensidade vêm sendo estudadas e utilizadas na doença de Peyronie. A hipótese de que poderiam fraturar diretamente a placa e, assim, corrigir a curvatura não se confirmou. Em contrapartida, podem apresentar benefício no controle da dor da fase aguda e podem atuar de forma positiva na função erétil, onde eventuais efeitos sobre a função erétil devem ser analisados cuidadosamente, já que a piora na ereção é um evento frequentemente nesta condição.

Acompanhamento transdisciplinar

O tratamento da doença de Peyronie pode se beneficiar de acompanhamento transdisciplinar. O impacto emocional e sexual deve ser considerado desde os primeiros atendimentos. Orientação, acompanhamento e suporte da equipe de saúde mental auxiliam o indivíduo no processo de tomada de decisões, que pode incluir tratamento cirúrgico em alguns casos.

Dúvidas frequentes

A doença de Peyronie causa disfunção erétil?

Existe uma importante associação entre disfunção erétil e doença de Peyronie. Podem ocorrer alterações relacionadas ao próprio mecanismo da ereção, além de fatores vasculares, metabólicos, hormonais, medicamentosos, tabagismo, idade e impacto psicológico da doença. Por isso, a disfunção erétil deve ser avaliada como uma condição multifatorial.

Devo evitar contato sexual porque tenho Peyronie?

Não há contraindicação automática à atividade sexual na doença de Peyronie. Curvaturas leves, ou mesmo mais intensas quando não impedem a penetração, não determinam obrigatoriamente uma intervenção cirúrgica. O tratamento deve considerar o impacto da curvatura sobre o indivíduo, após orientação, acompanhamento e possíveis adaptações da vida sexual.

A dor no pênis é um sinal de doença em estágio grave?

Apesar de ser um dos sintomas comuns da doença de Peyronie, sua presença e intensidade não correspondem diretamente à gravidade, ao prognóstico ou ao grau de curvatura. A dor é mais característica da fase aguda e tende a melhorar com a evolução da doença.

Implantar uma prótese peniana é uma boa solução?

A prótese peniana é considerada principalmente quando existe disfunção erétil importante e outras opções de tratamento não proporcionam resposta adequada ou não são apropriadas. Mesmo com dispositivos modernos, o objetivo é restaurar rigidez funcional; o resultado não deve ser apresentado como idêntico à ereção natural. Em pacientes com Peyronie, deformidade e fibrose também fazem parte do planejamento.

O tratamento ideal começa por uma avaliação individualizada.

A avaliação permite compreender o problema, discutir as alternativas disponíveis e definir uma estratégia de acordo com as características e prioridades de cada paciente.

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